Memorial Intelectual


           Desde criança eu pensava em trabalhar na área de administração, pois os números foram se tornando meus amigos ao passar dos anos. Na juventude, porém, tive a oportunidade de conhecer uma autora que abriu a porta da leitura em minha vida: Stephenie Meyer. Não existe um livro deste fenômeno que eu não tenha lido. Gostar de vampiros que brilham à luz do sol não é uma tarefa fácil, ainda mais quando você precisa lidar com pessoas preconceituosas.
            A minha chegada à faculdade me fez perceber que o amor pelos números não era algo para ser levado tão a sério, mas também não era algo para ser ignorado. Os números ficaram guardados em alguma parte do meu coração; e, assim, a porta para a imaginação foi aberta, o mundo da fantasia ganhou asas e páginas e mais páginas já foram preenchidas para o nascimento de um romance. Não pensem que deixei de lado a matemática, pois descobri que há uma relação forte entre vampiros e os números; a sua infinitude, e talvez seja esta a minha sina.
            Foi em 2015 que tomei coragem e larguei mão de administração. Não foi uma atitude fácil, mas não podia viver por muito tempo na infelicidade. Em 2008 meu repertório não era tão rico, na verdade, não lembro muito bem do que lia, além da série Fala Sério da autora Thalita Rebouças e alguns livros de terror, do qual não recordarei os nomes. Minha família não era muito próxima à prática de leitura, mas lembro que na época meus irmãos liam mais do que eu. Preciso que entendam: “Crepúsculo” foi o responsável por ampliar o meu repertório, sim, um romance que pode ser considerado para adolescente, este livro me fez querer cursar a faculdade de Letras e sinto muito orgulho por isso.
            Em 2016 iniciei uma nova etapa, me introduzi no meio das palavras, seus sons e significados e depois descobri que não queria mais sair dali. Entre linguística e literatura compreendi que poderia conviver muito bem entre elas. As oficinas se mostraram uma disciplina obrigatória (positivamente), afinal, eu estava em um curso de Letras – Formação para escritor e poder criar uma história e apresentá-la para outras pessoas foi bem desafiador e estimulante.
            Em torno desta caminhada já tive algumas produções escritas, entre elas, o meu primeiro artigo acadêmico, de qual nasceu a partir de uma fanfic de Crepúsculo, óbvio. Penso que devo associar a minha escrita a algo que amo muito, pois, só assim, ela se torna mais potente e verdadeira. Tive a oportunidade de escrever dois ensaios durante o primeiro e quinto período, e tive experiências distintas. No primeiro, me sai muito mal, nada do que eu escrevia parecia fazer sentido, muito menos ter uma lógica. Apesar de existirem palavras e um contexto nada parecia se encaixar. Obtive uma nota média por isso, mas foi merecido, eu ainda não tinha base nenhuma estava apenas começando. Por outro lado, quando realmente estudei sobre a construção de um ensaio e pude escrever, novamente, me saí muito bem.
            Ao longo dos períodos fui apresentada a diversos autores, entre eles Baudelaire, Borges, Poe, fora os autores nacionais clássicos da nossa literatura brasileira, da qual eu não tinha muito contato, como, por exemplo, Guimarães Rosa, Oswald e Mario de Andrade, Rubem Fonseca e outros. Não ter lido esses autores anteriormente não significava que eu não gostasse de suas leituras, mas sim que nunca alguém tinha me apresentado antes e é por isso que faço questão de espalhar o nome desses fenômenos por aí, para que outras pessoas, assim como eu, tenham conhecimento dessas figuras importantes, tanto na literatura nacional quanto internacional, assim como meu querido crítico e ensaísta Benjamin.
            Em 2018 dei início à minha grande jornada, a que eu posso dar o nome de desafio, o nascimento do meu primeiro romance. É uma caminhada árdua, não espere que as palavras que você deseja expressar saiam facilmente, leva um certo tempo. Cronometrar dias e um determinado tempo daquilo que você deseja passar para o papel pode te deixar maluca, sinto isso frequentemente e às vezes se torna desesperador. Mas é nesse caminho que eu pretendo seguir. Após finalizar este romance iniciarei o segundo livro, que será a continuação. Esse é um processo que eu espero passar muitas e muitas vezes, quero viver entre as loucuras, felicidades, dores, amores e incertezas. E se as palavras têm esses poderes é a elas que irei me prender.

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