Exercício Oficina Infanto Juvenil - descrição de um episódio triste da infância

Eu atravessei a porta e o vi deitado. De longe parecia uma cama, mas não tinha certeza. Eu não queria chegar perto, mas a minha curiosidade me perturbava. Meus pés aceleraram, parecia que a cada passo eu carregava um peso. Cheguei próximo a ele e toquei seu rosto. Ele estava pálido, ou melhor, branco como algodão.

Passei meus dedos por sua testa, descendo em seguida para o nariz. Senti uma lágrima escorregando até chegar a minha boca. Ela não era quente ou gelada, era salgada.
            Reza pra gente? Mamãe perguntou e eu assenti com a palavra presa na garganta.
            Não pude fazer a oração inicial. Enxurradas de lágrimas vieram, uma atrás da outra. Não consegui me controlar. Meu coração batia muito rápido e minha respiração já estava descontrolada. Mamãe veio para o meu lado e senti seus braços acolhedores. Ali naquele espaço pequeno havia pessoas chorando e sorrindo. Eu, a mamãe e meus irmãos tínhamos os olhos inchados, mas do outro lado da mesa, sem disfarçar, estava o meu tio e sua madrasta distribuindo um sorriso amarelo para os visitantes. Meu primo era o ser mais disperso dentro da capela. Seu olhar vagava pelas paredes parecendo não entender o que acontecia. Apertei meus braços em volta da mamãe e me deixei ser levada para longe dali, mas antes me despedi dele.
            Adeus, vovô.



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