Texto a partir de verbetes poéticos

Querida mamãe,
            Ainda me lembro de quando criança você aparecendo na porta de meu quarto, com os braços estendidos. Lembro do sorriso que nascia em meu rosto e da forma rápida que meus pés corriam até você. Lembro-me também das muitas quedas que levei, e você sempre esteve lá ao meu lado, com as mãos postas para me levantar. Lembra, mãe? Foi você quem me ensinou a dar os primeiros passos, foi “mama” a primeira palavra que você fez sair da minha boca, foi você também mamãe a única pessoa que teve a coragem de me explicar o que era o amor. Lembra quando você disse que, quando o meu coração batesse no peito de outra pessoa, eu finalmente teria encontrado o Amor? Pois é, esse dia chegou. Eu senti e experimentei todas as glórias do primeiro amor que você mamãe fez questão de me contar. Mas, como você mesma disse “tudo que vem, também vai”. Infelizmente nada é para sempre e o meu conto de fadas também acabou. Quando me dei conta do fim, parecia que um alfinete espetava o meu coração. Era essa a mágoa que você tanto falava, não é? Era ela que você não queria que eu sentisse, eu sei.
            Mamãe, não fique triste pela história que estou lhe contando. Aprendi que devo me amar em primeiro lugar, e que se o meu coração estiver batendo dentro do meu peito, é isso que importa.


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